

Consiliência, Um livro conciliatório?
por Sérgio Oliveira©
© Bacharel em Psicologia (Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ), Mestre em Filosofia (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, [PUC-RJ]). Professor Assistente do Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação (IBMR)
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O projeto de se construir uma teoria do conhecimento, como qualquer projeto humano, se faz dentro de um contexto cultural. Assim sendo, os revolucionários anos 60 e 70 nos deram Thomas Kuhn e Paul Feyerabend (1). Ambos quiseram desconstruir a idéia de que há um método único, um conjunto preciso de passos para a obtenção do conhecimento confiável. Ambos também questionaram a idéia de que a ciência sempre foi movida por um só desejo. Paul Feyerabend, especificamente, representou o antídoto à tendência positivista de se imaginar a ciência como a forma ideal de se endereçar à realidade. Até mesmo a própria noção de uma realidade inteligível em si, significada de forma auto-subsistente, de um mundo já pronto ("ready-made world"), foi por ele desafiada. Mesmo não estando mais vivo, os escritos desse enfant terrible, que procuravam terapeutizar a tendência de se julgar natural o projeto da epistemologia, continuam a ser publicados hoje (1999a, 1999b). A própria filosofia neopragmatista, que se quer herdeira das reflexões do segundo Wittgenstein, e que, em nosso solo, tem servido como instrumental extremamente útil, pode ser vista como continuadora do diálogo insuflado por aquele filósofo.
No entanto, estes nossos tempos que anunciam "o fim da história", o triunfo "inevitável" das teses neoliberais e apostam na idéia de "natureza humana", muitas vezes como meio de ainda melhor justificar a opressão, trazem consigo um antigo projeto epistemológico. Trata-se do apelo à idéia da "ciência unificada", tão cara ao positivismo lógico. O sonho positivista, portanto, voltou a ser sonhado. Urge saber de que desejos este sonho é, hoje, manifestação (2)
A tradução entre nós do texto "Consiliência" (1999), de Edward Wilson, oferece-nos o representante máximo da retomada contemporânea do projeto da "unidade do conhecimento". A idéia segue sendo a tendência em ver nos diversos empreendimentos intelectuais peças de um quebra-cabeça que precisa ser unido. O objetivo é fazer surgir, em um final futuro, uma imagem coerente (a única) da realidade. Esta proposta reinveste na metáfora do conhecimento como um espelho (imagem já criticada no célebre livro de Richard Rorty, 1994) e pretende fazer esquecer os motivos que nos levaram a crer que era útil imaginarmos o conhecimento como ferramenta.
A unificação, agora proposta, se inspira no projeto de anexação de um campo do conhecimento por uma disciplina mais fundamental. Isto ocorre, por exemplo, quando os processos de aquecimento estudados pela termodinâmica são explicados em termos da mecânica estatística, com suas equações descrevendo o movimento das moléculas. Em realidade, observamos, hoje, uma batelada de exemplos bem-sucedidos, por toda parte, de esforços "consilientes" como estes nas ciências naturais. No entanto, o programa de Wilson, de uma imodéstia ímpar, pretende unificar todos os ramos do conhecimento incluindo-se, aí, a tarefa de colmatar o que ele vê como o "fosso" entre as ciências naturais, de um lado, e as Humanidades e as artes, de outro.
Reiteremos enfaticamente: Wilson é o representante máximo da proposta (que conta, ainda, com defensores igualmente ambiciosos como Richard Dawkins) de ver nas chamadas "hard sciences" o modelo do empreendimento intelectual bem-sucedido. E este cacoete, insistamos, também é antigo: Ele consiste em aquilatar o progresso de um saber, qualquer que este seja, pelos critérios das ciências naturais, cujos objetivos (valores) se expressam, primordialmente, pelo poder de previsão e controle conquistado. Wilson expressa essa postura inúmeras vezes no seu livro:
"Temos a meta comum
de transformar o máximo de filosofia em ciência". (p. 10)
"Não há razão óbvia por que a sociologia não deva adotar uma orientação semelhante [à da biologia, ou seja, o
acompanhamento da causação através de muitos níveis de organização],
guiada por uma visão que abranja da sociedade ao neurônio". (p. 178 - 179)
"As ciências sociais possuem os mesmos traços gerais das ciências naturais no período inicial
de história natural ou predominantemente descritivo do seu período
histórico. (...) Mas ainda não forjaram uma rede de explicações causais
que desça com sucesso pelos níveis de organização, da sociedade à mente e
cérebro. Por não sondarem tão longe, carecem do que pode ser considerado
uma verdadeira teoria científica". (p. 180)
"Nenhuma razão irrefutável chegou a ser apresentada para a mesma estratégia [,explicações
de causa e efeito,] não funcionar na união das ciências naturais com as
ciências sociais e humanas. A diferença entre os dois domínios está na
magnitude do problema, não nos princípios necessários a sua solução". (p. 258)
"As ciências humanas terão sucesso na medida em que forem sólidas no conteúdo e o mais
coerentes entre si permitido pelos dados. Acho difícil conceber um
currículo básico adequado nas faculdades e universidades que evite as
ligações de causa e efeito entre os grandes ramos do saber não
metáforas, não as elocubrações de segunda ordem sobre por que acadêmicos
de diferentes disciplinas pensam isso e aquilo, mas causas e efeitos
substanciais". (p. 260)
Pelas citações acima, observa-se claramente que Wilson despreza a retórica das ciências humanas, não lhes querendo ouvir a especificidade de sua construção. Desta forma, a procura pela causação física, típica nas ciências naturais, é vista por ele como o único exercício meritório. E, por sua vez, o entendimento do progresso de uma disciplina se encontraria diretamente ligado ao número obtido de explicações deste tipo. O ponto é que, fascinado pelo ideal de objetividade, Wilson, nem por um momento, se sensibiliza com a idéia de que os valores perseguidos no domínio das ciências humanas sejam radicalmente outros e que, em virtude de seus objetivos não se reduzirem mais à previsão e controle dos comportamentos, outra seria aí a proposta de construção do conhecimento (talvez nem se podendo mesmo falar, agora, de uma única proposta discernível).
O filósofo pragmatista contemporâneo, Richard Rorty, em um artigo, Against Unity, que comenta a obra de Wilson, faz uma observação precisa sobre este ponto. Diz-nos ele:
"Nossos vocabulários explicativos e descritivos, com suas lentas histórias evolutivas, são como os dentes e a cauda lentamente desenvolvidos de um castor: Eles são dispositivos admiráveis de aperfeiçoamento da posição de nossa espécie. (...) Os vocabulários da física e da política [, por exemplo,] não precisam ser integrados um ao outro mais do que a cauda de um castor precisa ser integrada aos seus dentes. Para os filósofos que adotam esse modo pragmático, biologista, de pensar sobre a relação entre a linguagem e a realidade, não há um problema da unidade do conhecimento assim com não há um problema da unidade do ser humano."
Se observarmos atentamente o que Rorty está a dizer, nesta esclarecedora passagem, não ficaremos mais preocupados com a presença de um "fosso" entre as ciências naturais e as Humanidades o tal "fosso" detectado por Wilson. Teremos superado esta preocupação justamente por termos redescrito a forma como desejamos entender o conhecimento. Teremos sido "terapeutizados" de um falso problema, como dizia ser Wittgenstein a tarefa da filosofia. Para Rorty, que diz não conseguir entender por que Wilson é tão premido pela questão da consiliência, as coisas são mais simples se entendidas sob seu prisma pragmatista:
"Eu tenho dificuldades em ver por que Wilson crê que esta questão seja tão urgente. (...) As ciências naturais dizem-nos como as coisas e as pessoas funcionam, e, portanto, capacitam-nos a adaptar coisas e pessoas para as nossa necessidades. As humanidades não nos dizem como qualquer coisa funciona, mas dão-nos sugestões sobre o que fazer com as coisas e pessoas (...) e que novos tipos de coisas e pessoas nós deveríamos tentar inventar.(...) Quando nós sabemos o que nós queremos, mas não sabemos como obtê-lo, nós recorremos à ajuda das ciências naturais. Nós recorremos às Humanidades e às artes, quando nós não estamos certos daquilo que deveríamos querer. Esta divisão tradicional do trabalho tem funcionado muito bem. Portanto, não parece claro por que razão nós necessitamos de uma consiliência adicional, a qual é o objetivo de Wilson."
Rorty não nos cansa de lembrar que, conforme nossos objetivos, há inúmeras formas de se descrever coisas e pessoas e que esta pluralidade não deveria aparecer-nos como um problema. Parece ser, na verdade, o desejo um tanto teimoso, e algo desarrazoado, de totalidade, nutrido por parte de Wilson, que faz com que ele veja, em vocabulários que não precisam ser conciliados, uma incompletude desconcertante. Uma vez mais, lembremos que este sentimento não é compartilhado por qualquer pessoa que tenha uma visão instrumental da "linguagem", do "conhecimento" e da "verdade".
"O que me parece como uma divisão do trabalho cultural razoável e necessária, se apresenta a Wilson como uma fragmentação"
Mas não é somente à visão particular que Wilson tem do conhecimento que podem se dirigir as nossas críticas. Afinal, também inteiramente outras seriam, então, as formas do cientista social interagir com a cultura de que faz parte. Assim, causa-nos espécie sua comparação entre a imensa capacidade de intervenção sobre a natureza já alcançada pelas ciências físicas e o "fracasso" do cientista social em fazer o mesmo com a cultura. Devidamente ouvida, esta comparação nos remete para a recapitulação do cientista social como um expert ao qual caberia guiar a cultura o que coloca a ciência num patamar hierarquicamente superior dentro da sociedade e delega ao cientista uma função que não nos parece, em absoluto, pertencer exclusivamente a ele (3). Estranha noção de cultura; estranho lugar para os intelectuais. Se não, vejamos:
"A situação atual das ciências sociais pode ser posta em perspectiva, comparando-as com as ciências médicas. Ambas foram encarregadas de grandes e prementes problemas. (...) Espera-se dos cientistas sociais que indiquem como moderar o conflito étnico, converter países em desenvolvimento em democracias prósperas e otimizar o comércio mundial" (p. 173).
Diz-nos Wilson tais coisas, porque ele encara o fenômeno cultural à semelhança de um fenômeno natural e acredita que os intelectuais que se debruçam sobre a cultura o fazem tão-somente movidos por ideais de objetividade. Mas uma cultura não é uma célula, e as estratégias apoiadas por intelectuais muito dificilmente se assemelham a princípios universais do tipo causa-e-efeito. A insistência no uso desse vocabulário cientificista nas descrições do enredo sociocultural e no papel por ele atribuído ao cientista se deve, é claro, à divinização que faz do ofício das ciências naturais. Fetichização da ciência. Idolatria mesmo. Esta, nos escritos de Wilson, figura como sinônimo (aparentemente perfeito) de "cultura superior" e é situada como responsável pela construção da mais perfeita "forma de vida". Veja-se a passagem:
"A ciência não é uma filosofia nem um sistema de crenças. É uma combinação de operações mentais que se tornou cada vez mais o hábito dos povos cultos, uma cultura de iluminações a que se chegou por um golpe afortunado da história que produziu a forma mais eficaz já concebida de aprender sobre o mundo real". (p. 43)
Encontra-se aí uma descrição totalmente reificada da ciência. Ela aparece como um exercício não-humano que consiste meramente em refletir a realidade. O problema com este tipo de descrição é que, então, a ciência não parece se constituir a partir de um conjunto de problemas colocados por motivações sócio-históricas. O saber científico, aí, passa a ser descrito de uma maneira que não inclui um sujeito indagador culturalmente localizado e que trabalha com determinadas preocupações justamente em função deste local cultural. A propósito, perceba-se que a presença do exercício científico, incansavelmente elogiado por Wilson, é o que conferiria, para este autor, o status de maturidade intelectual a uma cultura.
Que não sejamos mal-entendidos: Quem, em sã consciência, negaria a superioridade das narrativas científicas no que diz respeito ao poder de previsão e controle dos eventos naturais? Mas, por outro lado, quem, ilustrado pela simples experiência da vida, poderia imaginar que todas as narrativas de que nos valemos no quotidiano são movidas por tais ideais de previsão e controle? E, quem, também, proporia a eliminação de reflexões sobre esta mesma vida quotidiana que se fizessem sob o norte de outros ideais? Bem... Wilson, aparentemente. Isto equivale ao absurdo de querermos criticar as fábulas de Esopo, e até mesmo substituí-las, com base nos estudos contemporâneos sobre o comportamento animal. Mas o mais importante mesmo, neste caso, é lembrá-lo que tem sido o objetivo maior das Humanidades, não produzir pessoas que dessem as respostas corretas para uma cultura seguir, mas sim alargar o campo do diálogo, inserindo o maior número possível de vozes.
De qualquer forma, o livro de Wilson é um livro-sintoma. E, como tal, urge escutá-lo e conhecê-lo. Junto com inúmeros outros autores contemporâneos (4), ele representa uma tendência de escarnecimento (5) das Humanidades que só faz sentido mesmo dentro de uma óptica totalizadora, incrédula de nossa capacidade de reinventarmos nossas práticas com base em outras possibilidades de se ver o homem e o mundo. Trata-se do velho desprezo ao exercício do intelectual crítico e curioso que não se interessa por ver leis onde se podem detectar convenções. Trata-se da insistência em ver o ficcionista como um adversário do "verdadeiro conhecimento" e não como alguém que divisa novos horizontes para a reconstrução de nossas vidas. Tristes tempos estes que alegam dizer não haver relevância nas Humanidades. Isto só parece mesmo atestar o quanto elas são urgentes: A julgar pelo livro de Wilson, as Humanidades contam com garantia de longa existência ainda... Q
Referências Bibliográficas
FEYERABEND, P. Conquest of Abundance. Chicago: University of Chicago Press, 1999a. FEYERABEND, P. & LAKATOS, I. For and Against Method. - Chicago: University of Chicago Press, 1999b. GIERE, R.N. Science Without Laws. - Chicago: University of Chicago Press, 1999. RORTY, R. Filosofia e o Espelho da Natureza. - Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994. _____, _. Against Unity in The Wilson Quarterly (versão on-line), Winter, 1998. WILSON, E. O. Consiliência: A Unidade do Conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
Notas
1.Não nos esqueçamos de que os trabalhos de Kuhn e Feyerabend ganham repercussão dentro da atmosfera da revolução dos costumes, da contestação à Guerra do Vietnã, da Primavera de Praga, dos movimentos de expressão das minorias e de segmentos oprimidos; enfim, dentro de um contexto onde a palavra de ordem era estranhar a versão oficial, a naturalidade das narrativas, a inocência dos significados.
2.Isto porque as motivações e as conseqüências da defesa de certas idéias diferem com relação ao contexto em que estas se inscrevem. Por exemplo, Ronald Giere (1999. p. 14) sugere que "parte do significado da distinção [entre contexto da descoberta e contexto de justificação] se devia, em Reichenbach, a sua recusa em crer que as características de uma pessoa propondo uma hipótese científica tivesse algo a ver com a validade científica da hipótese proposta. Isto se aplica, em particular, se a pessoa no caso é um judeu. Reichenbach parece ter estabelecido, com isto, uma precondição, para qualquer epistemologia científica, que exclui a possibilidade de qualquer distinção entre, por exemplo, uma ciência judia e uma ariana." Note-se que a defesa de uma distinção radical, aí operada pelos positivistas lógicos, entre, de um lado, o campo metodológico e, de outro, os campos sociológicos e psicológicos, conseguiu funcionar, neste contexto específico, como ferramenta útil e com fins libertários. É, nesse sentido, interessante observar que o próprio Reichenbach desenvolve estas idéias, entre os anos de 1933 e 1938, na Nova República de Mustapha Keman, na Universidade de Istambul, onde buscará refúgio, após ter sido demitido da Universidade de Berlim, juntamente com cinqüenta outros professores alemães, por conta das leis raciais nazistas, introduzidas em 1933 (Giere, R., op. cit., p.13).
3. De fato, esta era a função que Durkheim atribuía
ao cientista social. O ponto aí é que a sociedade era imaginada como um
fato como qualquer outro – "o fato social". Seguia-se desta lógica
positivista, então, que se imaginasse um lugar elitista para o cientista
social como "aquele que sabe o que fazer" e, conseqüentemente, "aquele que
está autorizado a dizer o que se deve fazer". Ao se imaginar,
contrariamente, que a sociedade é um campo de contradições que
encerra em si um grande número de vozes, a idéia de uma "solução objetiva"
para seus problemas torna-se inútil. Impossibilita-se, com isso, também
que se localize exatamente no cientista a única personagem da cultura que
poderia apresentar aquela solução. Mais democrático, acreditamos, é
imaginar os intelectuais de uma comunidade como figuras que podem propor
alternativas e ajudar na orquestração do diálogo.
Na verdade, a posição de Wilson quanto ao ponto é
antiga: Supõe que, num mundo ideal, teríamos um rei-cientista. Mas isto só
atualiza mesmo o equívoco de se supor que uma pessoa que supostamente
conheça bem os mecanismos de funcionamento da sociedade deva também dizer
para onde a sociedade deva se encaminhar. Ora, trata-se de dois momentos
de análise completamente distintos, embora autores como Wilson façam de
tudo para que não se perceba a diferença. A distinção, no entanto, segue
sendo gritante: Alguém pode conhecer muitíssimo bem o funcionamento
interno de um barco a vapor, mas isso não quer dizer que caiba a ele, e
não aos passageiros, decidir para onde o barco deva ir.
4.Entre eles, destacam-se Richard Dawkins, Paul e Patricia Churchland e Steve Pinker.
5. O termo é mesmo este, afinal, o que levaria Wilson a subescrever Alexander Rosenberg quando este nos diz que "a filosofia na verdade aborda apenas duas questões: as perguntas que as ciências – físicas, biológicas e sociais – não conseguem responder e as razões dessa incapacidade" (apud Wilson, op. cit., p.10). A ingenuidade (a indigência intelectual?) de Rosenberg é ainda mais patente quando ele nos diz: "É claro que pode não haver nenhuma pergunta a que as ciências não consigam responder no final, a longo prazo, quando todos os fatos forem conhecidos, mas decerto há questões às quais a ciência não consegue responder ainda". Trata-se de um caso grave de "as novas roupas do imperador". Afinal de contas, os valores que devemos adotar para a construção das vidas pública e privada podem ser destilados do exercício científico? Evidentemente que não. Mas supor uma resposta afirmativa àquela não seria, inclusive, já uma sintomática inobservância (um esquecimento mesmo!) do aspecto criativo da vida humana? E, a propósito, todo esquecimento não é mesmo um processo ativo? Neste caso, em nome do quê, então, se esquece aqui?
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