Filosofia Contemporânea: Escolha Racional Teoria da Escolha Racional (REMBRANDT, O Cambista)Texto de Filosofia Contemporânea
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Aversão a Risco Subjacente ao Paradoxo da Mera Adição
por
Antônio Rogério da Silva

Texto em Discursus
Derek Parfit é um dos filósofos britânicos mais importantes da atualidade. Seu livro Reasons and Persons (Razões e Pessoas, 1984) já pode ser considerado um marco da filosofia contemporânea. Nessa obra, Parfit apresenta uma rica análise sobre problemas meta-éticos, cujas soluções ajudariam à tomada de decisão sobre temas como superpopulação, aborto, qualidade de vida, etc. Lá, encontra-se também a proposta de uma nova teoria mais abrangente sobre o bem-estar – conhecida por Teoria X – para qual se exigiria atender quatro requisitos básicos, desenvolvidos ao longo do livro: o problema da não identidade; evitar as conclusões repugnante e absurda; além de resolver o Paradoxo da Mera Adição (Mere Addition Paradox,ou MAP). No sentido de ajudar a resolver o referido paradoxo e, por conseguinte, colaborar na viabilização da Teoria X, o presente artigo vem propor uma nova interpretação para esta aporia que, se for plausível, poderá facilitar sua solução, enquanto supera a Conclusão Repugnante (The Repugnant Conclusion), encaminhando assim metade dos trabalhos para a elaboração da teoria almejada.
Em Reasons and Persons, há uma longa versão do Paradoxo da Mera Adição (doravante, MAP) que, mais tarde, o próprio autor considerou falha por enfatizar o modo como a maldade da desigualdade é gerada na comparação entre diversas situações [1]. MAP foi apresentado pela primeira vez no ensaio “Future Generations: Further Problems” (Gerações Futuras: Problemas adicionais, 1982) e sua versão mais compacta aparece em “Acts and Outcomes” (Atos e Resultados, 1996), uma réplica ao filósofo David Boonin-Vail. Nesta forma mais resumida, o paradoxo pede ao leitor que suponha a existência de dois países igualitários, aqui designados como “A” e “M”. “A” representa um lugar cuja população desfruta de uma qualidade de vida alta e “M” outro no qual vivem o dobro de habitantes de “A” com uma condição pior para cada pessoa. Assume-se, então, que a maioria consideraria...

(1) “M” pior do que “A” (ou “A > M”).

Até aqui nenhum problema. As dificuldades começam aparecer quando uma terceira situação, chamada “Ab”, é imaginada. “Ab” possui também o dobro da população de “A”, mas metade de seus cidadãos vive uma vida pior que os moradores de “M”, enquanto o restante tem o bem estar igual aos dos nascidos em “A”. Mais uma vez, supõe-se que a maioria pensa que...

(2) “Ab” não poderia ser pior que “A” (ou “Ab >= A”);

Entretanto, muitos poderiam acreditar que a vida em...

(3) “M” poderia ser melhor que em “Ab” (ou “M > Ab”).

Todas essas três crenças poderiam ser tidas como prováveis, porém, para Parfit, em seu conjunto, não poderiam ser consideradas verdadeiras. Isso porque “M” não poderia ser classificado como pior do que “A” ao mesmo tempo em que fosse julgado melhor do que um outro mundo semelhante a este (“Ab” só difere de “A” pela adição de um grupo de pessoas com baixa qualidade de vida).
Parfit defende a veracidade de (2) e (3). Entretanto, isso exigiria a negação de (1), o que seria um absurdo. Sendo assim, estaria criado o paradoxo [2].
Para que este paradoxo seja resolvido, uma ou mais de suas premissas precisa ser falsa. Se a negação de (1) gera todo problema, então só resta acreditar que ou (2) ou (3), senão ambas, são falsas. Pelo princípio da média impessoal (impersonal average principle), seria possível afirmar que a qualidade de vida em “Ab” é pior do que em “A”, já que a maior média líquida de soma da felicidade (ou utilidade) per capita estaria em “A”. Não obstante, Parfit argumenta que isto é implausível, pois a mudança de “A” para “Ab” não resultaria em perdas para as pessoas que já tinham bem-estar alto. Haveria apenas a adição de um grupo com baixo bem-estar. Essa única distinção não seria suficiente para tornar a nova situação pior do que a primeira [3].
Por outro lado, a negação de que “M” seria melhor do que “Ab” não é aceitável, uma vez que implicaria em uma visão elitista em favor do grupo com alta qualidade de vida, contra a igualdade existente em “M”. A preferência pela equidade, no entanto, tornaria admissível o aumento da população, com a consequente queda do bem-estar, desde que fosse eliminada a desigualdade. Todavia, se esse raciocínio fosse estendido a novas gerações, no futuro, levaria à explosão populacional, com todos vivendo igualitariamente, mas em níveis cada vez mais baixos de subsistência. Afinal, chegar-se-ia ao pior dos mundos.
Para evitar essa Conclusão Repugnante e a Visão Elitista, faz-se necessário encontrar um novo meio de interpretar MAP, sem que se venha a recorrer às propostas já descartadas por Parfit, pelo menos até 1996. Nesse sentido, a Teoria das Perspectivas (Prospect Theory), desenvolvida pelos psicólogos israelenses Daniel Kahneman e Amos Tversky (1937-1996), talvez possa vir em auxílio dessa tarefa ao sustentar a suposição de que seria acrescentado um maior risco às pessoas de caírem em uma situação na qual acreditam ser pior do que a original. Isso aconteceria nos casos em que elas pudessem escolher em um sorteio qual lugar gostariam de viver ao se defrontarem com a adição de um grupo populacional extra ao mundo “A”. Tal interpretação, por conseguinte, representaria uma nova maneira de abordar o paradoxo proposto por Parfit, levando-o a uma possível solução.

Nova Leitura da Adição

MAP resolve-se facilmente pela negação de sua segunda premissa. Mas Parfit não admite, com razão, que a simples adição de um grupo de pessoas possa piorar o estatuto de uma sociedade, se isso não prejudicar o grupo que já existia lá antes. Tal como a situação de uma pessoa rica que passa a desfrutar da companhia de um amigo pobre. Desde que esta associação não traga nenhum custo adicional ao amigo rico, não haveria porque censurar essa amizade, e sustentar que seria melhor a solidão para os mais ricos do que a companhia dos mais pobres.
Em “Future Generations”, Parfit fornece, não esse, mas o exemplo da National Gallery que possui uma coleção de quadros reservas com uma qualidade média baixa, esteticamente. A mera existência desses quadros não diminuiria o valor da coleção principal, nem faria a National Gallery pior [4]. Contudo, embora essa situação pareça intuitivamente correta, poder-se-ia argumentar que, se dentre os quadros existentes no porão houvesse falsificações ou obras de baixa qualidade, senão o valor dos quadros principais estaria em dúvida, mas pelo menos a reputação de seus curadores seria passível de desconfiança. Pois, com base em seus critérios estéticos duvidosos, são responsáveis por autorizar a aquisição dos objetos para o acervo da galeria. Por outro lado, um colecionador, que possuísse poucas, mas boas obras, manteria intacto seu prestígio entre seus colegas.
Outro exemplo, dessa vez esportivo também poderia ajudar a compreender que não se trata de uma mera adição inconseqüente aquela proposta por Parfit. Pois uma equipe que não mantivesse um “banco de reservas” à altura de substituir os atletas titulares poderia vir a ter dificuldades para vencer outra equipe com a mesma qualidade, mas que possuísse substitutos com as mesmas habilidades. No mínimo, a equipe sem um bom banco de reservas teria de contar com a sorte para garantir sua participação em qualquer torneio, caso algum de seus atletas principais viesse a se contundir.
De todo modo, as preferências e crenças das pessoas sobre o valor de cada uma das alternativas de lugares hipotéticos imaginados por Parfit são passíveis de teste empírico. Quando transformadas em loterias nas quais se podem aferir as escolhas individuais, a preferência por qual país ou situação a pessoa gostaria de viver pode ser medida – mesmo que elas não saibam ao certo em que classe ficariam nas opções onde houvesse mais de uma qualidade de vida oferecida. Nessas circunstâncias, é razoável supor que muitos prefeririam estar em um lugar onde o bem-estar de todos fosse alto, ao invés de se arriscar a cair em uma situação pior como a do grupo extra em “Ab”. Sendo assim, a rejeição à opção “Ab” não ocorreria apenas pela simples adição populacional, nem pelo rebaixamento da utilidade média pessoal, porém, para se evitar o risco de viver em uma condição mais difícil do que a garantida em “A”.
De fato, o prêmio oferecido pela alternativa “A” é superior ao de “Ab”. Enquanto “A” garante 100% de alta qualidade de vida, “Ab” garantiria apenas 50%, pois o grupo extra acrescentado por Parfit dobra o tamanho da população. Sem embargo, qualquer que fosse a quantidade de pessoas acrescentada com baixa qualidade de vida levaria a uma queda no valor desta opção em relação a uma alternativa de certeza absoluta do alto padrão de vida.
Assim como se poderia prever a preferência por “A” – que elimina o risco de um baixo bem-estar -, também, ceteri paribus, supõe-se que “M” poderia ser a opção escolhida diante de “Ab”, uma vez que todos naquele “país” teriam, ao menos, uma qualidade de vida média. Da mesma forma, para evitar o risco de cair na categoria social mais baixa, é plausível acreditar que muitos prefeririam garantir 100% de um bem-estar médio, em vez de se arriscarem a uma existência de baixa qualidade.
Isso, entretanto, não faz da escolha por “M” – em detrimento de “Ab”- mais racional do que a anterior – “A” sobre “Ab”. Pelo contrário, tal deliberação reproduziria em MAP o paradoxo observado pelo economista francês Maurice F. Ch. Allais, em 1953, sobre as escolhas racionais diante do risco. Nas críticas que fez à escola econômica estadunidense, em seu artigo “Le Comportement de L'Homme Rationnel Devant Le Risque” (O Comportamento do Homem Racional diante o Risco, 1953), Allais apresentou os resultados que se obtém quando se sugere as seguintes loterias:

A. certeza de receber 100 milhões ou a

B. probabilidade de 10% de ganhar 500 milhões e 89% de ganhar 100 milhões e 1% de nada obter;

...a maioria das pessoas prefere a opção "A" mais do que "B" (A > B). Contudo, quando o quadro muda e são oferecidas as chances de...

C. ganhar 100 milhões a 11% e 89% de nada ganhar ou

D. 10% de ganhar 500 milhões e 90% de obter zero

...agora a maior parte responde preferir "C" a "D" (C > D), embora o valor de cada alternativa seja respectivamente:

100 milhões para "A"; 139 milhões para "B"; 11 milhões para "C" e 50 milhões para "D".

O que significa que a relação de preferências entre esses resultados não preserva os mesmos valores em circunstâncias objetivamente semelhantes, pois o desejo pelo ganho certo que a maioria das pessoas manifesta, quando indica "A > B", não se repete na variação presente em "C > D", cuja diferença de 39 milhões é igual nas duas loterias apresentadas [5]. Em suas pesquisas, Allais detectou a influência de valores psicológicos relativos à percepção de visão nas escolhas que tornavam intransitivas e aparentemente irracionais as decisões tomadas pelos agentes frente às preferências consideradas adequadas. Efetivamente, o que ficou demonstrado foi a forte correlação existente entre aversão ao risco e intransitividade nas preferências manifestas, quando sob incerteza. Algo que se percebe em MAP depois de interpretado à luz da teoria das perspectivas, que veio, mais tarde, explicar os efeitos que provocam as escolhas irracionais das pessoas postas em situação de incerteza.
A Teoria das Perspectivas foi desenvolvida por Daniel Kahneman, com a colaboração de Amos Tversky. Ambos analisaram diversos resultados obtidos em cenários diferentes, onde as pessoas eram submetidas a escolhas como nas experiências de Allais, e puderam notar os efeitos, cuja existência reflete a maneira pela qual os agentes racionais deliberam antes de desempenharem uma linha de ação. Os fenômenos observados na reação de estudantes de universidades israelenses e estadunidenses chocavam com alguns pilares da teoria da utilidade. Empiricamente, constatou-se que as pessoas superestimavam resultados que são considerados certos - o chamado efeito de certeza -, em face daqueles que para serem obtidos envolveriam o cálculo das probabilidades. O efeito da certeza foi observado em perspectivas que não preocupavam os agentes com perdas ou resultados negativos. Os casos que envolviam previsão de resultados negativos, por sua vez, apresentavam outro fator virtualmente invertido em comparação ao de certeza, chamado efeito de reflexão. Como em um espelho, as respostas oferecidas pelos entrevistados refletiam uma ordem reversa das preferências para perdas, em contraste com as preferências por ganhos. Os ganhos positivos provocaram aversão ao risco nos agentes, enquanto os quadros de expectativas negativas estimulavam, ao contrário, a busca ao risco. Nessas ocasiões, os mesmos "equívocos" provocados pelo efeito de certeza foram notados em ambos os aspectos, positivo e negativo, com a busca pelo ganho seguro, mas de utilidade menor e preferência por resultados negativos incertos, embora de maior perspectiva, do que a perda absoluta. Por conseguinte, o efeito de reflexão eliminou a aversão pela incerteza nos sorteios negativos, como consequência paradoxal ao efeito de certeza, passando a incrementar a aversão por perdas e o desejo de ganhos imediatos [6].
Destarte, voltando às situações apresentadas por Parfit. Pode-se, agora, analisar as ocorrências propostas à luz das perspectivas de ganhos em loterias. Assim, ao atribuir-se o valor 100 à alta qualidade de vida, 50 à média e 25 à baixa, é possível calcular os valores que estão em jogo, a ponto de saber como a aversão ao risco influencia as tomadas de decisão no MAP.
Entre “A” e “Ab”:

“A” equivale a 100% de 100, que é igual a 100;

“Ab” é a soma de 50% de 100 e 50% de 25, ou seja, 50+12,5=62,5.

Sob parâmetros da racionalidade econômica 100 > 62,5, portanto “A” é preferível a “Ab” (A > Ab). Como não há qualquer risco ao se escolher “A”, presume-se que a maioria acredite, realmente, que esta é a melhor opção frente à “Ab”. Logo, ao contrário do que supõe Parfit, tanto sob aspectos econômicos, quanto psicológicos, o certo é negar a validade da premissa (2). Por conseguinte, resolve-se assim MAP: observando as escolhas de pessoas razoáveis submetidas ao risco.

Irracionalidade e Intransitividade

A favor de Parfit, é justo que se diga que a mera adição do risco não tornar menos moralmente criticável a opção egoísta contra a presença dos mais pobres. Por outro lado, intuições moral admitidas previamente para eliminação das escolhas exigem mais justificativas sobre a validade desse senso moral perante perspectivas éticas concorrentes, do que simplesmente a negação da racionalidade econômica. Se a aversão do risco e a inclusão da incerteza ajudam a solucionar esse paradoxo de uma nova perspectiva, permanece, todavia, o problema da intransitividade. No argumento original de Parfit, a falta de transitividade das preferências aparecia desde que se supunha como padrão de preferência da maioria A > M > Ab > A. Assim, “M” poderia ser preferível à “A”, contradizendo A > M.
Com a nova leitura do paradoxo - que inclui aversão a risco -, “A” é preferível a “Ab”, bem como à “M”, pois 100 são maiores do que os 62,5 oferecidos em “Ab” e do que os 50 que se obtêm em “M” (100% de 50). Contudo, a preferência de “M” sobre “Ab” continua sendo irracional do ponto de vista econômico, pois o valor de “M” (50) é menor do que o de “Ab” (62,5). Para resolver esse outro paradoxo – observado antes por Allais, Kahneman e Tversky nas escolhas econômicas -, seria preciso também que se negasse a validade da premissa (3). Porém, com a adição do risco e da incerteza, em relação ao processo de obtenção do bem-estar, é admissível que a maioria temerosa prefira uma qualidade de vida média à probabilidade de viver com um valor baixo de bem-estar.
Não é por amor à igualdade que as pessoas escolhem “M”, em vez de ”Ab”, mas por segurança de seu próprio bem-estar. Uma quarta loteria, onde se tem de escolher entre “M” e “Am” – um lugar com 50% de qualidade de vida alta e 50% de qualidade de vida média, cujo valor chega a 75 -, supõe-se que a maioria venha a preferir “Am” à “M”. Nesse caso, efetivamente, alguma desigualdade é tolerável, desde que isto não venha afetar a segurança do agente. Sem a incerteza e o risco da perda, cada um age racionalmente, preservando a transitividade de suas preferências, a despeito de considerações éticas igualitárias.
Tal solução, em alguns aspectos, concorda com a discussão entabulada por John Rawls (1921-2002), em Uma Teoria da Justiça (1971), acerca da escolha do princípio da diferença sob o véu da ignorância de uma posição original. O princípio de diferença permite que haja alguma desigualdade econômica, desde que favoreça a população mais pobre. A desigualdade que é tolerada na loteria proposta mantém os menos favorecidos na média da sociedade igualitária com que é comparada. A condição do sorteio cria também uma ignorância sobre qual posição os agentes se encontrarão, depois que sair o resultado. Contudo, não se abstrai o risco e a incerteza que Rawls procura evitar. Por conseguinte, a solução passa pela adoção de uma perspectiva contratual mais realista e condizente com a condição psicológica dos agentes que formarão a sociedade. Nenhum ponto de vista moral prévio é subentendido. Basta apenas que se observem as reações previsíveis de seres racionais de “carne e osso”, para entender as estratégias que serão adotadas sob incerteza e que concorrem para um resultado mais justo [7].
Se o princípio de utilidade média não pode garantir ganhos médios a qualquer pessoa, presume-se que os agentes racionais escolham os resultados considerados mais seguros. Por isso, o princípio de utilidade média não é capaz de se impor aos indivíduos. Para que as decisões racionais tornem-se transitivas, em situações de risco, faz-se necessário fornecer garantias mínimas para manutenção de seu bem estar. Sem essas garantias a aversão ao risco domina a orientação das opções. Um princípio como o da diferença, em que o bem estar geral é garantido mesmo sob desigualdade, pode vir a ser um auxílio à elaboração do contrato social. Porém, se a aversão ao risco é subtraída da psicologia humana, resta apenas acreditar que o princípio de racionalidade econômica será suficiente para busca do resultado que forneça o maior ganho possível. Qualquer outra postulação será viciosa se pressupor um senso ou princípio moral para se evitar conclusões indesejáveis [8].
Sem embargo, os aspectos psicológicos das escolhas sob incerteza tornam a solução desses paradoxos de intransitividade difíceis na vida cotidiana. Para uma orientação pela racionalidade, seria preciso que as pessoas - como sugeriu John C. Harsanyi (1920-2000) - passassem por um processo educacional voltado à observação atenta dos resultados e não se deixassem envolver pelos riscos apresentados nos processos de escolha [9].
Uma vez eliminadas as incertezas e a aversão ao risco, a maioria das pessoas tende a seguir as melhores alternativas, evitando todos os paradoxos enfrentados em sua vida diária. A fonte de toda intransitividade e irracionalidade humana, o que nos faz tremer, está no medo da fome, de não poder sobreviver dignamente, e no temor da morte.

Notas

1. Veja PARFIT, D. "Acts and Outcomes”, n. 1.
2. As melhores versões de MAP estão em PARFIT, D. “Future Generations”, IX, p. 158 e “Acts and Outcomes”, p. 308
3. Veja PARFIT, D. op. cit., IX, p. 159
4. Veja PARFIT, D. Idem, p. 159.
5. Veja ALLAIS, M. F. Ch. "Le Comportement de l'Homme Rationnel Devant le Risque", p. 527.
6. Esses entre outros efeitos foram observados em KAHNEMAN, D. & TVERSKY. A. "Prospect Theory", pp. 265 a 281.
7. Veja RAWLS, J. Uma Teoria da Justiça, cap. III, § 27, pp. 164-166.
8. Veja RAWLS, J Op. cit., cap III, §28, p. 172.
9. Veja HARSANYI, J. “Normative Validity and Meaning of von Neumann-Morgenstern Utilities”.


Referências Bibliográficas

ALLAIS, M. F. Ch. “Le Comportement de L'Homme Rationnel Devant Le Risque”, in Econometrica, vol 21, nº 4, outubro de 1953.

HARSANYI, J. “Normative Validity and Meaning of von Neumann-Morgenstern Utilities”, in BINMORE, K.G et tal. Frontiers of Game Theory. – Massachusetts: MIT, 1993.

KAHNEMAN, D. & TVERSKY, A. “Prospect Theory: An analysis of decision under risk”, in Econometrica, vol. 47, N° 2, março de 1979.

PARFIT, D. “Future Generations: Further problems”, in Philosophy & Public Affairs, vol. 11, N° 2, primavera de 1982.

____. “Acts and Outcomes: A reply to Boonin-Vail”, in Philosophy & Public Affairs, vol. 25, N° 4, outono de 1996.

RAWLS, J. Uma Teoria da Justiça; trad. Carlos P. Correia. – Lisboa: Presença, 1993.


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