Arquivo do Forum de Discursus
DALI, S. Gabinete Antropomórfico Forum
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Título: A Primeira Meta do Milênio
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Em respeito às 41.985.288 pessoas que ainda passam fome no Brasil - segundo estudo "Miséria, Desigualdade e Estabilidade" do Centro de Pesquisa Social da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV) - e a bem da verdade, é importante tecer algumas considerações sobre o anunciado cumprimento da primeira meta do milênio por parte do atual governo brasileiro. De acordo com a Declaração do Milênio, publicada pela Assembléia da Organização da Nações Unidas a 08 de setembro de 2000, os países signatários comprometer-se-íam em reduzir à metade a miséria extrema, a fome e a falta de acesso à água potável, em 2015, na comparação com a porcentagem apurada em 1990, além de outras sete metas.
Agora, pela primeira vez um estudo do CPS/FGV traz estimativas referentes aos valores de extrema pobreza, sugerido pela ONU, ou seja com base no número de pessoas que obtêm ganhos inferiores a um dólar diário. Das pesquisas anteriores como o "Mapa do Fim da Fome" (2001) e "Miséria em Queda" (2005), apenas esta última mencionava a meta do milênio, sem apresentar o gráfico histórico anual. Predominava, em ambas com na atual pesquisa, a linha de pobreza estabelecida pela FGV, embora com números diferentes de uma amostragem para outra, mas que agora apontam os 42 milhões de brasileiros miseráveis. Não obstante, de acordo com a FGV, em 1992 - ano que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) permitiu aferir esses dados -, a percentagem da população vivendo na extrema pobreza (menos de US$ 1) era de 11,73% e, ao longo da década dos 1990 e o início deste milênio, esta veio oscilando em queda até atingir os atuais 5,32%.
Para cumprir a primeira meta do milênio seria necessário reduzir a miséria absoluta a 5,865%, metade da taxa obtida em 1992. Nos dez primeiros anos de variação desse índice, a miséria extrema regrediu dos 11,73% de 1992, para os 6,63% de 2002, conforme aponta a recente pesquisa da FGV. Isso representa um ritmo de queda de 0,51 ponto percentual ao ano, em média, nesse decênio. Se tal ritmo persistisse, já em 2004, ter-se-ia atingido 5,62% da proporção de miseráveis no Brasil, cumprindo com folga a meta prometida para 2015. Contudo, em 2004, ainda se registrava 6,15%, devido ao desastroso incremento ocorrido em 2003 (7,36%). Entre 2002 e 2005, o ritmo de queda por ponto percetual caiu de 0,51 para 0,436 ao ano, o que fez com que a miséria extrema chegasse, agora, a 5,32% e não 5,11% se fosse mantida a variação dos governos anteriores.
Em termos absolutos, isso significa ter mantido 387.216 pessoas a mais subsistindo com menos de um dólar por dia, no Brasil (os atuais 9.809.474 de miseráveis, menos os [des]esperados 9.422.258, para o ano passado). Resultado do improviso, da corrupção e da incompetência que marcam o atual governo brasileiro, eleito em 2002, que, em termos de governaça, ainda deve muito à oitava meta para desenvolvimento e combate à corrupção.

Referências Bibliográficas

BANCO MUNDIAL. Global Monitoring Report 2006. Disponível na Internet via www.worldbank.org.

FGV. Miséria, Desigualdade e Estabilidade. - Rio de Janeiro: FGV, 2006. Disponível na Internet via http://www.fgv.br/ibre/cps.

___. Mapa do Fim da Fome. - Rio de Janeiro: FGV, 2001. Disponível na Internet via http://www.fgv.br/ibre/cps

____. Miséria em Queda. - Rio de Janeiro: FGV, 2005. Disponível na Internet via www.fgv.br/ibre/cps.

IBGE. Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios. - Rio de Janeiro: IBGE, 2006. Disponível na Internet via http://www.ibge.com.br/ .

ONU. Resolución A/RES/55/2: Declaración del Milenio. 8 de setembro de 2000.

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