Nome: Paulo Araujo
Endereço eletrônico: pauloaraujo1945@yahoo.com.br
Título: Escola Profética versus Escola Sacerdotal
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A Ciência do Ser é uma ciência cujo objeto de estudo é o ser enquanto ser, que constitui a essência de cada um dos seres, incontaminado, livre de hipóteses humanas, espiritual e cientificamente identificado. Para aqueles que a estudam ocorrem desdobramentos inevitáveis, mas desejáveis, que contribuem efetivamente para que sejam conhecidas, compreendidas e atendidas as necessidades reais e os interesses verdadeiros da humanidade. Por isso, devemos ampliar sua abrangência e reconhecê-la como constituída de múltiplos aspectos. Podemos, de imediato, dizer que basicamente são as preocupações éticas, morais e espirituais dos humanos.
A propósito, devemos ou não salientar a importância, neste estudo, daquilo que constitui uma resposta decente e que nos leve a conhecer a verdadeira identidade do homem? Penso que é tudo o que precisamos saber. Afinal, será o homem um macaco que sofre de falacrose crônica? Será, o homem, um corpo de carne e ossos com uma alma pecaminosa lhe permeando a carne? Será, o homem, algo que foi criado para pecar, adoecer e morrer e, depois, ser castigado por ter feito uma coisa que não poderia deixar de fazer? Será, o homem, filho daquele casal de desastrados que em pouco tempo foi expulso do paraíso? Será o descendente de algum casal de extraterráqueos? Será, o homem, o resultado da fecundação de uma fêmea humanóide por um ananoque (segundo os sumérios, nome dado a um ser que vinha do céu)? Será, o homem, apenas o nome de família para todos os seres viventes? Talvez, seja um padrão de comportamento. Quem sabe a resposta? Poucos afirmam que o homem é uma idéia espiritual da Mente divina. Será que estas perguntas fazem sentido? Será que nada disso é válido? Muitos ficam muitíssimo ofendidos quando são acusados de não terem tido um comportamento digno de um homem. Outros muitos reconhecem e afirmam que a mulher, de vez em quando, toma uma atitude de homem. Nesse caso, a conotação muda do sexual para o moral e comportamental. Uma coisa é certa, se não sabemos de onde viemos, também, ignoramos para onde vamos e o que é mais aterrador, não estamos sabendo o que fazer aqui e como resolver os problemas, até mesmo, os mais simples.
Estou mais do que convencido, sem dúvida, estou convicto de que todo esforço despendido para encontrar soluções para os problemas humanos será em vão, até que, o conceito de homem seja revisto, redefinido e divulgado universalmente. E, só a Ciência do Ser tem esse direito e privilégio.
Por mais incrível que possa parecer, os mais primitivos grupamentos humanos, tinham para resolver problemas, em muito, semelhantes aos que temos hoje e, com os quais, nos defrontamos e que, ainda hoje, necessitam de soluções. Eis alguns deles: conseguir meios de sustento; compreender e ajustar-se ao meio ambiente; estabelecer uma ordem social; viver em família; alcançar a harmonia; idear e aplacar a ira dos deuses em um mundo invisível para os olhos humanos, onde supostamente vivem seres temíveis.
Entretanto, o que mais importa é que a Ciência do Ser nos esclareça e nos leve a conhecer a verdadeira origem, natureza e identidade do homem, posto que, só assim, será possível identificar as necessidades reais e os interesses verdadeiros daquele que constitui a única testemunha da existência do universo e, para o qual, este mundo foi feito.
No meio de tudo, porém, o mais chocante é o fato, de que a mente humana de hoje é a mesma, como há milhares de anos. Observamos que hoje, como nos primórdios da civilização humana, tudo o que se fez, se faz, e pelos mesmos motivos. Tão ou mais chocante ainda, e que percebemos nitidamente é que o principal elo que une as pessoas é a existência de um interesse pessoal comum e freqüentemente marcado pelo egotismo.
Há um bloqueio ao progresso humano em suas relações interpessoais. Há, também, um outro conflito permanente entre duas correntes doutrinárias de pensamentos e identificá-las é a primeira tarefa. Ato contínuo, agir seletivamente e adotar aquela que depura, ao máximo, o conceito de homem. Penso que começar assim, é começar certo. Como tudo que começa bem, acaba bem, então, busquemos, tão pronto quanto possível, a indispensável compreensão acerca da verdadeira origem, natureza e identidade do homem, isto é, o verdadeiro conceito de homem.
Defrontamo-nos, percebemos e discernimos, de imediato, a existência de conceitos antagônicos. E que há uma luta cada vez mais acirrada nos bastidores pela predominância de um deles. Um lado quer dar a conhecer um elevado conceito de homem para, assim, libertar o pensamento cativo, levantar a auto-estima e valorizar o ser humano. O outro lado, quer manter o conceito distorcido e aviltado como está, pois, assim, conserva a consciência individual, desencorajada, intimidada e humilhada. Desse modo, escraviza, explora e desvaloriza o ser humano.
De uma coisa temos certeza, há um obstáculo ou adversário que entrava o processo de harmonização nas relações entre os vários segmentos da sociedade humana, tanto no plano social, quanto no político mas, sobretudo, entre o científico e o religioso.
A exploração do homem pelo homem é a mais repugnante forma de expressão de egoísmo; é a mais antiga má prática mental que se pode cometer contra o seu semelhante. Ao longo da evolução da história universal esta cruel forma de exploração estendeu-se e, mais tarde, passou a ser de nação sobre nações. Por que será que o verbo mais sentido em seus efeitos perniciosos para a saúde pelos seres humanos é o verbo explorar? Por que será esse verbo o que mais se identifica com o caráter adâmico? Estou falando do sentido mais sórdido do caráter, que um segmento numeroso da sociedade humana desenvolveu, por imposição, e que, por isso, usa o verbo explorar, no seu sentido igualmente sórdido, que é o de "abusar da ingenuidade ou da ignorância de alguém para mau fim".
Esse "alguém", com certeza, é a porção maior da sociedade. Eu, você, enfim, milhões de indivíduos que, ao buscarem compreensão, ficam escravizados às crenças; ao buscarem alegria, ficam limitados a momentos de bom humor e, às vezes, dão gargalhadas à tripa forra. Ao buscarem cura, ficam à mercê dos adoradores de Esculápio ou filhos e seguidores de Hipócrates. Ao buscarem salvação oferecem seus dízimos movidos pelo medo das geenas, onde há choro e ranger de dentes, em vez de fazê-lo movido pelo sentimento de gratidão. Que penúria!
Talvez, nos parecesse, natural e interessante, volvermos o nosso olhar para o passado mais remoto (e, é!) e buscar a origem e a compreensão e, se possível, identificar e arrancar as raízes de tanta miséria física, moral e espiritual. Mas, quando nos lembramos que a mentalidade de hoje é a mesma que atravessa os séculos, ficamos tentados a simplificar, e, passamos a achar que, em um corte frontal, possamos encontrar todos os elementos necessários para a compreensão plena e, quem sabe, a ferramenta que, corretamente usada, transformará a consciência possível, que os seres humanos desenvolveram, em consciência real. E isto, após deixá-los conscientes da existência de um paradigma, mais elevado e mais puro, de homem..
Em meio ao confuso labirinto da problemática do ser, não devo resistir, devo sim, reconhecer, concordar e considerar oportuno que um corte longitudinal seja aplicado. Assim, fazendo, observaremos de um ponto de vista mais amplo e que, certamente, facilitará para todos, a compreensão, que é o propósito deste trabalho e o que mais importa que seja alcançado.
Voltemos no tempo. Vamos supor que estamos vivendo em um dos grupos nômades que migram de um lado para o outro, em busca de regiões mais ricas em alimentos. A dificuldade é máxima. Todos estão famintos. O cansaço é manifestado por muitos, até que em uma caverna, resolvemos parar e repousar. Um dos elementos do grupo, o mais faminto, sai para caçar. Passa o tempo e ele não volta. O grupo resolve sair em bando. O corpo do aventureiro é encontrado, dilacerado. O inimigo era mais forte. Há uma necessidade de união. No grupo, entram espontaneamente os que apresentam qualidades interessantes para a caça. Por exemplo, aquele que possui uma boa audição, assim pode denunciar a presença da caça e dar tempo ao grupo para se preparar; o que demonstra uma força muscular acima de todos; o que arremessa uma pedra de bom tamanho a uma boa distância e atinge o alvo com mais facilidade; o que possui uma excelente visão e que, por isso, vê mais longe, a aproximação da caça e a denuncia; o que possui um bom olfato e desse modo percebe a proximidade da presa, antes que olhos a alcancem. Cada um, contribuindo para o êxito da caçada com as qualidades que trazem e protegendo-se, mutuamente, mantêm-se organizados. Isso é o resultado do reconhecimento das qualidades individuais de um pelo outro, que determina a coesão e harmonia perfeita do grupo e o conduz à dias melhores. Essa manifestação do pensamento despontante caracteriza o início da corrente de pensamentos precursora daquela que mais tarde recebeu o nome de doutrina da Escola Profética (a que apresenta o mais elevado conceito de homem).
Enquanto os masculinos caçavam, as femininas ficavam em casa e, freqüentemente, saíam em busca de ervas, plantas e frutas. Como estavam sujeitas ao perigo, começaram a plantar em lugar próximo, as folhagens que usavam como tempero e alimento. As femininas tornaram-se, por isso, as precursoras da agricultura.
O grupo vive em tempos de paz. Mas, a parte masculina do grupo agita-se e cria-se a necessidade de um líder ou de um paradigma. Qual deles será o líder? ou seja, quem é que assume o poder? A competição começa. O que mais se esforçará para ocupar tal cargo deverá ser, provavelmente, aquele que mais deseja e quer ser idolatrado e, aliado à força muscular, é capaz de intimidar os outros. E, pela força física, tenta impor-se como aquele que decide e dirige o destino do grupo. É este o ponto crucial, na história social, política e cultural da humanidade, onde as decisões que mais afetam a todos são tomadas e, quase sempre, evoluem para a guerra devastadora. A ânsia, é de poder e riqueza. Neste momento, os que se inclinam para a doutrina da Escola Profética, retiram-se e formam um grupo independente.
Todo o conflito se desenvolve no âmbito daqueles que cultivam o pensamento que se caracteriza como o precursor da doutrina da Escola Sacerdotal. Um quer dominar (explorar) e o outro, também. E aí? Aí está o ponto de apoio para as manifestações básicas desta doutrina nefasta, tais como: idolatria, inveja, ambição, revolta, violência e morte. Finda a paz. Estas manifestações caracterizam a corrente de pensamentos que é a precursora daquela que, no seu desenvolvimento, recebe o nome de doutrina da Escola Sacerdotal (a que ensina o conceito de homem que o humilha, intimida e desencoraja).
Neste exato momento, diante desta oportunidade, é impossível resistir e não sugerir algo que ponha um fim a este conflito. Que tal democratizar o poder? Não falo de um poder administrativo que centraliza decisões e falseia a democracia; estou falando do poder que o conhecimento concede àqueles que o procuram. Um conhecimento que permite ao indivíduo autogovernar-se. Um conhecimento que revela a existência de uma fonte inesgotável e, acessível a todos, de valores igualitários e positivos; que revela a existência de uma fonte de inteligência, saúde, suprimento de idéias, sabedoria e sobretudo do próprio poder. Não seria esse o escopo de uma das duas correntes de pensamento? Enquanto a outra, preocupa-se em dominar e manter o povo atirado a mais completa ignorância e miséria moral e espiritual. E, isto, exatamente porque ela vive do seu pecado; do seu erro e do seu desespero.
Entre as duas correntes opostas de pensamentos presentes em todas as castas na sociedade, há uma que exalta o homem e há outra que o humilha. Em meio à avalanche de pensamentos pútridos e contraditórios que os dotados de mentalidade adâmica cultivam, o distúrbio de caráter mais comum é a prática da violência pois, tem sido o meio mais rápido que muitos utilizam para atender suas necessidades pessoais e dar vazão aos graves distúrbios de caráter e de comportamento, quase sempre, da forma que mais avilta a condição humana, o peculato.
Há uma muito sutil e que, entre todas, constituiu-se na mais cruel forma de violência que a doutrina da Escola Sacerdotal cometeu e que, tornou o ser humano definitivamente impotente para conquistar a Paz. Esta violência consumou-se no momento em que os sacerdotes e escribas "torceram o sentido contrário à razão e à gramática", isto é, mentiram e lesaram a humanidade em seu direito maior que é o direito à razão e à consciência, enfim, lesaram-na em seu direito de saber. Esse ato de violência é insuperável na sua capacidade de destruir qualquer tentativa de ser feliz.
Há cerca de quatro mil e quinhentos anos um código de leis foi promulgado. Este código recebeu o nome de seu elaborador e era constituído de 283 leis. E, ficou conhecido como o Código de Hammurabi. Hammurabi reinou sobre a Babilônia e para conter a onda de violência em seu reino, promulgou leis específicas para que a violência diminuísse; entre essas leis havia uma que dizia: "Olho por olho, dente por dente." Apesar do forte argumento repressivo de seu código, a violência não acabou.
Mais recentemente, Moisés usou do mesmo expediente ao consultar seis fontes literárias para escrever o Pentateuco. Ele copiou algumas dessas leis do Código de Hammurabi mas, pelo que se vê, também, não logrou êxito. Uma vez que há um sério antagonismo entre as duas correntes de pensamentos, admito que, se uma conduz à violência, a outra, que se lhe opõe, naturalmente, conduz à Paz. No Pentateuco de Moisés, estas correntes tornam-se evidentes e definidas posto que o revestimento religioso, a hermenêutica aliada à etimologia, dão nítido perfil e denunciam a diferença em seus conteúdos devido às contradições aparentemente inexplicáveis. Assim, facilmente percebemos e, claramente, percorremos a linha de demarcação entre estas duas doutrinas.
A tradição judaica contribuiu com a maior parte das fontes consultadas, entre elas o documento Eloísta e o documento Jeovista. Moisés colocou os dois documentos, estrategicamente, nos dois primeiros capítulos do Velho Testamento, em Gênesis, para que o mais rápido possível, nos déssemos conta da existência deles e, sobretudo, percebêssemos o quanto eles são importantes para a percepção e discernimento dos conceitos apresentados de homem, trajetórias propostas de ambos e, finalmente, a compreensão das doutrinas da Escola Profética e da Escola Sacerdotal. E a nós, foi dada a oportunidade de conscientizar, o quanto, uma é harmoniosa, pura e verdadeira, enquanto a outra é desarmoniosa, impura e falsa. Enquanto a primeira é real, a segunda não passa de uma suposição.
O documento chamado Eloísta, ou autêntico, é o fundamento da Escola Profética e apresenta um conceito de homem espiritual, perfeito, completo e satisfeito. Este homem recebeu de Deus domínio sobre o mundo e tudo o que nele existe. Este homem foi feito da substância de Deus, por Deus e para Deus. Deus, neste documento, recebeu o nome de Elohim. Este homem foi demonstrado por Jesus Cristo. A corrente de pensamentos, denominada Escola Profética, nos assegura que o homem nunca é Deus, mas, o homem espiritual, feito conforme a semelhança de Deus, reflete as qualidades de Deus. A Mente de Deus, a Mente divina é númeno, é causa; o homem é fenômeno, é efeito. Este documento apresenta o homem como inseparável de seu Criador. Tudo o que é verdadeiro a respeito da Mente divina, é verdadeiro a respeito do homem, exceto que ele não é causa. Tudo o que nós devemos saber sobre o homem é o que Deus conhece e sabe sobre si mesmo.
A Escola Profética foi defendida, demonstrada e sua doutrina ensinada por Jesus Cristo aos apóstolos e aos gentios que se interessavam pelos seus ensinamentos. Jesus Cristo, do alto de sua humildade e grande glória, fiel aos ensinamentos da Escola que seguia, nos prometeu, dizendo: "Aquele que crer em mim, fará as mesmas obras que eu faço" (Jo. 14:12). Constituem partes integrantes da Escola Profética os seguintes documentos: O documento Eloísta ou autêntico que está exposto em Gênesis, do Cap. 1: 1 até o v. 31; Êxodo 20: 3 - 17 (Os Dez Mandamentos); o ensino inspirado dos Profetas; as palavras e obras de Cristo Jesus; recomenda o jejum espiritual; enseja que a fé se ligue à compreensão espiritual; as cartas do Novo Testamento e o livro da Revelação ou Apocalipse.
Depois de um texto de transição, no início do cap. 2: 1 até o v. 5, começa, no cap. 2: 6, a exposição do documento Jeovista e se estende até o final; este documento é assim chamado porque Deus, nesse relato chama-se Jeová. A sua narrativa começa em meio às trevas, onde há o máximo de dificuldade para a percepção e discernimento entre o que é real e o que é irreal. Este documento é, também, conhecido como documento nômade ou leigo. Ele é o fundamento da doutrina da Escola Sacerdotal ou Tradição sacerdotal, e, apresenta um conceito de homem que emerge do pó da terra, isto é, do nada porque nada é; revela um caráter de homem que age e reage como se tivesse uma mente própria, com uma inteligência e sabedoria inerente a essa mente; age como se tivesse separado e independente de seu Criador. A Escola Sacerdotal induz a humanidade a crer que o homem foi feito perfeito mas, decaiu; que nasceu para se sentir vítima, fraco e indefeso, além de doente, pecador e moribundo. E isto é, no mínimo, um crime hediondo.
Entre os textos bíblicos e as características da Escola Sacerdotal, encontramos: Gn. 2: 6, em diante; ênfase em rituais e cerimônias mortas; é enredada em pontos mínimos da lei; estimula a adoração materialista de imagem de escultura ou pessoas; adota as práticas farisaicas; exorta à prática do jejum material; defende a instituição e manutenção da hierarquia; dos dogmas; dos rituais; dos sacrifícios e administração de castigos e, ainda, orienta para que a fé se ligue à crendices.
Depois da morte de Jesus, a tradição sacerdotal ainda lutou por mais de trezentos anos para que os ensinamentos de Jesus fossem esquecidos pelo povo, até que, em parte, conseguiu e, ainda hoje, evita tocar em muitos dos versículos relativos aos ensinamentos da Escola Profética. Sempre que as contradições aparecem e alguém solicita esclarecimento, em geral, usam expressões de evasivas, tal como esta: "Isto é mistério de Deus". Na verdade, o que está acontecendo, é uma sutil confissão de ignorância. É preferível admitir que esta má prática mental seja por ignorância do que por malícia premeditada. Digo isto, porque no primeiro caso é mais fácil perdoar, esquecer e curar.
É preciso que fique claro, que as contradições encontradas nas narrativas bíblicas, não são contradições da Bíblia, são, sim, contradições que surgem devido à presença em toda Bíblia, de textos que pertencem à Escola Profética, seguido, às vezes, de muito perto, de textos que pertencem à Escola Sacerdotal, que possui uma doutrina contrária à doutrina da Escola Profética, e, isto exige uma explicação. Mas, estas correntes de pensamentos são desconhecidas pela maioria dos pastores e exegetas, talvez, seja conhecida apenas pelas lideranças, que mantêm-se em silêncio para não se comprometerem e não contrariarem o sistema consagrado pelo tempo, mas, com certeza, esta atitude, não tem a aprovação de Jesus.
Um fato que evidencia o que acabo de dizer, ocorreu na última Convenção Mundial das Igrejas Evangélicas. Posso assegurar que todas as igrejas que assinaram o texto da redação final daquela convenção, estão com suas mensagens contaminadas, e muito, pela doutrina da Escola Sacerdotal, imposta pela Teologia Escolástica da Tradição Religiosa, cujos representantes, há mais de dois mil anos, tramaram a morte de Jesus.
O que mais me causa espécie é o fato de, em sendo Jesus o homem emblemático da Escola Profética, contudo, sua imagem é usada pelas igrejas para atrair multidões e, em suas prédicas vertem do púlpito, toda doutrina da Escola Sacerdotal, exercendo sobre os incautos, um verdadeiro terrorismo teológico, e, assim, dissipam suas forças, torna-os ainda mais fracos para seguirem à exortação feita por Jesus, que diz: "Desenvolva sua própria salvação com tremor e temor." Aliás, vale registrar que esta exortação se fosse corretamente traduzida, leríamos: Demonstre sua própria perfeição com determinação e reverência. Se Jesus estivesse presente, confirmaria, reafirmando: "Seja você perfeito como perfeito é o seu Pai Celestial". É assim que se expressa aquele que segue e ensina a doutrina da Escola Profética. Isto, é Ciência divina! A Ciência do Ser verdadeiro! Esta é a Religião Moral e Espiritual. Esta doutrina socializa os valores igualitários e positivos. Chega de religião angústia! Chega de terrorismo teológico!
Foi exatamente contra algumas contradições e muitos procedimentos da doutrina da Escola Sacerdotal que Martinho Lutero, indignou-se. Não obstante, o protestantismo seguido de todas as dissidências, até as igrejas mais recentes e lideradas por amantes da popularidade, continuam, essencialmente, pregando a doutrina da Escola Sacerdotal e contra a qual Lutero defendeu 95 teses. Digo e repito: É preciso saber distinguir quando é a Escola Profética e quando é a Escola Sacerdotal que está se pronunciando. Veja quem tem olhos de ver, ouça quem tem ouvidos de ouvir. Daí, a exortação bíblica de Jesus, que diz: "Examinai as Escrituras". E, acrescentou: "Errais porque não conheceis as Escrituras".
Em Roma, a concessão de liberdade de culto, feita pelo Imperador Constantino, já convertido, por motivação política e por sentir a proximidade da morte, autorizou a construção de templos cristãos. Isso ocorreu em 315. Mediante a doação do imperador, surgiu, o primeiro papa rico da história da Igreja Católica.
Entretanto, quer me parecer que, o que, em verdade, ocorreu foi a romanização do Cristianismo, em vez de a cristianização de Roma. Assim, a casta sacerdotal, rica e politizada, revestiu-se de autoridade entre o povo já escravizado à crença em um Deus "temível"; criou a hierarquia; instituiu o dogma; o ritual e a idolatria, tão repudiada por Jesus Cristo e fez com que a geração seguinte ignorasse os ensinamentos do grande Mestre Jesus, isto é, o Cristianismo original e prático com o seu fantástico poder de cura.
Percebe-se claramente a influência da política na religião e a formação do conluio entre a casta sacerdotal e a casta dos políticos, para que os interesses comuns fossem tratados em conjunto.
Através de toda a Bíblia nota-se a presença do conflito entre as doutrinas da Escola profética e da Escola sacerdotal. Ainda hoje, continua a divergência. Ainda hoje, os seguidores da Escola Sacerdotal insistem em crucificar o Cristo, embora, tenha sido ressuscitado para cumprir sua promessa ao declarar: "Eis que estarei convosco todos os dias. . ."
No livro do Profeta Oséias, lemos: "Meu povo está sendo destruído por que lhe falta o conhecimento (Cap. 4:6-10)". Pergunto: _Não seria, exatamente, desse conhecimento que Jesus Cristo nos ensinou, com suas completas e convincentes demonstrações, que este povo está precisando? E, ainda: _ Não seria a doutrina da Escola Profética, o denominador comum para resolver todas as questões humanas e criar um clima favorável à promulgação de um código de lei universal impregnado da Verdade que promove a Justiça; Justiça que firma, finalmente, a Paz, tão desejada?
"Veja quem tem olhos de ver e ouça quem ouvidos de ouvir", isto é, "Perceba quem tem percepção para perceber e discirna quem tem discernimento para discernir". Se já sabemos que o conceito modela o pensamento e o pensamento se transforma em ação, então, porque ainda resistimos em usar o próprio sistema político-pedagógico para introduzir um conceito de homem do mais alto nível de perfeição científica e espiritual. Em menos tempo do possamos imaginar, testemunharemos a destruição das raízes de todos os males, e pelos quais, a humanidade passa.
Ao incorporarmos na consciência individual do cidadão uma nova visão de si mesmo, de seu semelhante e do mundo à sua volta e da correlação imutável que há entre todos devido a origem comum, daremos o golpe mortal naquilo que serve de ponto de apoio para todas as manifestações de discórdia nas relações interpessoais, tanto no plano individual quanto no núcleo familiar e social.
Espero, caro leitor, ter contribuído para que o seu pensamento se aproxime mais rapidamente da Verdade científica relativa ao Ser. E, finalmente, resgate e assuma a sua verdadeira origem, natureza e identidade. Deixem brilhar a luz que há em cada um nós.
Bibliografia:
A Bíblia Sagrada. Trad. João Ferreira de Almeida. Ed. Revista e Atualizada. SBB. 1969. 1239 p.
ARAUJO, Paulo. DO ENGAJAMENTO À TRANSCENDÊNCIA. Inédito. 2001. 208 p.
M.B.EDDY. Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras [Science and Health with Key to the Scriptures]. Boston, Ma.: CSPS, 1990. 696 p.
Réplica:A Subjetividade e o Homem como Ele é |