Arquivo do Forum de Discursus
DALI, S. Gabinete Antropomórfico Forum
Nome: Paulo Araujo
Endereço eletrônico: pauloaraujo1945@yahoo.com.br
Título: RELATÓRIO E APRECIAÇÃO SUCINTA COMO CONTRIBUIÇÃO CIENTÍFICA DE PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO INOVADOR (DEPARTAMENTO DE PEDAGOGIA – CASA DO MENOR TRABALHADOR – 2002)
Comentários:

Nome do Projeto
FRAGMENTO DO PROJETO DE ONTOLOGIZAÇÃO DO SISTEMA POLÍTICO-PEDAGÓGICO
Objetivo Geral
A Ontologia (Ciência do Ser) em sua derivação metafísica aplicada à investigação e descoberta da origem e natureza dos equívocos cometidos pela Corrente doutrinária dominante e à resolução dos seus efeitos indesejáveis sobre o caráter dos seres humanos, produzidos pelo Sistema Político-Pedagógico vigente e subserviente à Teologia Escolástica da Tradição Sacerdotal Adâmica.
Objetivo Específico
Criar uma consciência através da conversação e do debate entre os jovens alunos e proporcionar-lhes a oportunidade de abordarem as questões de esclarecimento acerca da origem das contradições humanas, buscando, desde suas raízes até os procedimentos recomendáveis e conseqüentes, a fim de anular toda causa identificada e seus efeitos perniciosos em suas variegadas formas sobre os seres humanos e o meio-ambiente.
O norteamento das participações pelo moderador é tendente a lançar luz sobre uma dúvida e conciliar seguidores de opiniões diversas visando a coesão harmoniosa acerca de sua compreensão e das medidas a serem preconizadas, e que, efetivamente, ponham um fim às manifestações de distúrbios de caráter e de comportamento por membros da sociedade, em todos os seus escalões.
Ontologia
Parte da Filosofia que trata do ser enquanto ser, isto é, do ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres.
Metafísica
É um corpo de conhecimentos racionais (e não de conhecimentos revelados ou empíricos) em que se procura determinar as regras fundamentais do pensamento (aquelas que devem decorrer o conjunto de princípios de qualquer outra ciência, e a certeza e evidência que neles reconhecemos) e que nos dá a chave do conhecimento do real, tal como este verdadeiramente é (em oposição a aparências).
Metafísica ou Ontologia
A palavra metafísica foi empregada pela primeira vez por Andrônico de Rodes, por volta do ano 50 a.C., quando recolheu e classificou as obras de Aristóteles que, durante muitos séculos, haviam ficado dispersas e perdidas. Com essa palavra – ta meta ta physika -, o organizador dos textos aristotélicos indicava um conjunto de escritos que, em sua classificação, localizavam-se após os tratados sobre a física ou sobre a Natureza, pois a palavra grega meta quer dizer: depois de, após, acima de.
Ta: aqueles; meta: após, depois; ta physika: aqueles da física. Assim, a expressão ta meta ta physika significa literalmente: aqueles [escritos] que estão [catalogados] após os [escritos] da física. Ora, tais escritos haviam recebido uma designação por parte do próprio Aristóteles, quando este definira o assunto de que tratavam: são os escritos da Filosofia Primeira, cujo tema é o estudo do "ser enquanto ser". Desse modo, o que Aristóteles chamou de Filosofia Primeira passou a ser designado como metafísica.
No século XVII, o filósofo alemão Jacobus Thomasius considerou que a palavra correta para designar os estudos da metafísica ou Filosofia Primeira seria a palavra ontologia.
A palavra ontologia é composta de duas outras: onto e logia. Onto deriva-se de dois substantivos gregos, ta onta (os bens e as coisas realmente possuídas por alguém) e ta eonta (as coisas realmente existentes). Essas duas palavras, por sua vez, derivam-se do verbo ser, que, em grego, se diz einai. O particípio presente desse verbo se diz on (sendo, ente) e ontos (sendo, entes). Dessa maneira, as palavras onta e eonta (as coisas) e on (ente) levaram a um substantivo: to on, que significa o Ser. O Ser é o que é realmente e se opõe ao que parece ser, à aparência. Assim, ontologia significa: estudo ou conhecimento do Ser, dos entes ou das coisas tais como são em si mesmas, real e verdadeiramente.
Por que Thomasius julgou a palavra ontologia mais adequada do que a palavra metafísica? Para responder a essa pergunta devemos retornar ao que escreveu Aristóteles, quando propôs a Filosofia Primeira.
Ao definir a Filosofia Primeira, Aristóteles afirmou que ela estuda o ser das coisas, a ousia. A palavra ousia é o feminino do particípio presente do verbo ser, isto é, do verbo einai. Em português, ousia é traduzido por essência, porque é traduzida da palavra latina essentia.
Em latim o verbo ser se diz esse e a palavra essentia foi inventada pelos filósofos para traduzir ousia. Assim, a Filosofia Primeira é o estudo ou o conhecimento da essência das coisas ou do ser real e verdadeiro das coisas, daquilo que elas são em si mesmas, apesar das aparências que possam ter e das mudanças que possam sofrer.
OntologiaOntoTa ontaEinai/Esse/Ser (verbo)On/OntosTo on/Ser
(substantivo)
Ta eontaOusia/Essentia/Essência
(fem. part. pres. de Einai)
Logia

Thomasius considerou que Aristóteles definira a Filosofia Primeira como o estudo do ser das coisas, como o que há de íntimo, perene e verdadeiro nos entes. Não estuda esta ou aquela coisa, este ou aquele ente, mas busca aquilo que faz de um ente ou de uma coisa, um ser. Busca a essência de um ente ou de uma coisa. Por isso, por ser o estudo da ousia e porque a ousia oferece o ser real e verdadeiro de um ente, oferece o on íntimo e perene, a Filosofia Primeira deveria ser designada com a palavra ontologia. Nesse caso, a palavra metafísica seria apenas a indicação do lugar ocupado nas estantes pelos livros aristotélicos de Filosofia Primeira, localizados depois dos tratados sobre a física ou a Natureza. (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. - São Paulo: Ed. Ática, 2000)

Relatório Específico

Apresentamos alguns fragmentos utilizados como meios de transmissão de conhecimento a fim de produzir um resultado previsto. Entre esses, a plena recuperação, estabilização, a harmonização e a otimização do pensar, meditar e do agir como um cidadão total.
1º. Fragmento: Exibição da Entrevista gravada nos estúdios da Blue Light Home Vídeo, sobre o Tema, "Jesus, O Médico dos médicos." Uma análise da atual conjuntura Teo-científica-política-pedagógica e seus efeitos na gênese dos conflitos humanos, das doenças físicas e dos condutopatas.
2º. Fragmento: Palestra intitulada: "O Poder da Palavra". Uma releitura e análise dos textos das Sagradas Escrituras do ponto de vista da Ciência do Ser e sua aplicabilidade na prevenção e cura dos distúrbios do comportamento humano. Apresentação seguida de comentários de ocorrências em que o mau ou o bom uso da palavra contribuiu decisivamente para provocá-las. As ocorrências que ilustraram o tema foram colhidas entre as citadas por participantes; meios de comunicação, como jornais e revistas, e, casos pessoais experienciados pelo coordenador do evento.
3º. Fragmento: Realização do "1º. Colóquio Juvenil Sobre a Raiz da Violência". O tema foi escolhido com base numa pesquisa realizada e que revelou o que mais atemoriza o cidadão citadino. (Ver folha em anexo)

Departamento de Pedagogia: Relatório contendo algumas observações feitas sobre o comportamento de alguns dos alunos que mais chamaram a atenção para si, antes, durante e depois dos eventos.

Entre todos não havia quem não estivesse confuso e assustado com os fatos do dia-a-dia de nossa cidade. A falência dos sistemas econômicos e financeiros, políticos, religiosos, pedagógicos são tão evidentes que já não há nada para fazer além de reconhecer que todos nós fracassamos.
Felizmente, ainda temos esperança e bom ânimo, por isso, estamos aqui, tentando, insistindo até descobrirmos onde está enterrado o tesouro do conhecimento que livrará a sociedade da miséria espiritual a que o povo foi e está subjugado e da qual precisa e deve livrar-se mediante a conquista da autonomia intelectual e emancipação espiritual.
Em certa ocasião, o Exmo. Sr. Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, disse: "Para exercermos na plenitude nosso mandato de acabar com a miséria, é preciso também acabar com a miséria espiritual. Que os meios de comunicação nos ajudem nessa tarefa." (Trecho da pág. 10, do discurso de posse feito no dia 1º. de Janeiro de 1995, no Congresso Nacional).

Em seguida, passamos ao relato de alguns fatos observados pela Prof. Rose e a Pedagoga Carmen.

J. P. R. 16 anos, mostrou-se egoísta, orgulhoso, vaidoso e, por morar na zona sul mantinha um comportamento excêntrico e preconcebido pois todos os outros são residentes na zona norte. Queixava-se disso e mostrava-se resistente a um contato com os demais colegas chegando mesmo a temer que lhe fizessem algum mal. Numa conversa de sua mãe com a Pedagoga Carmen; o apoio da Prof. Rose e, as atividades aliadas ao conhecimento que induz a um processo de amadurecimento dirigido, esse jovem transformou-se de uma forma impressionante e exuberante em seu equivocado radicalismo. Tornou-se amigo e perfeitamente integrado com todos os seus colegas de classe sendo a sua participação na formatura destacada pelo entusiasmo e pela alegria com que se relacionava com todos.
J.A.N. 16 anos. Vivia em conflito com seu padrasto em discussões diárias. A agressividade com que se relacionava com os colegas de turma era a nota tônica de seu comportamento. À medida que o aprendizado alcançou a compreensão do poder da palavra, tornou-se mais fácil encontrar a solução mais adequada para resolver definitivamente o problema.
W. H. 16 anos. Entre todos era considerado de caráter extremo, voltado para a má prática mental. Faltava as aulas; recusou emprego a ele oferecido e procurava formar a sua "turma" dentro da classe. Por fim, foi convidado a retirar-se sendo excluído pela Pedagoga Carmen.
Algumas semanas depois, retornou a CMT e solicitou sua reintegração. Foi atendido e passou a ter um comportamento aceitável fazendo algum progresso. Permaneceu até o final do curso mas, não compareceu a formatura.
Vários alunos diziam-se seguidores de facções criminosas, tais como o CV e o PCC. Entre eles, o PCS, 16 anos e o GBS, 16 anos, identificaram-se como membros dessas facções e afirmavam seguidas vezes que a facção a que pertenciam era melhor ou mais poderosa que a do outro.
Movidos pelo preconceito, passaram a repelirem-se, e assim, cortaram uma relação de amizade ainda nascente sem contudo se agredirem. Assim, foram observados fatos semelhantes a esse entre outros alunos.
À medida que o programa se desenvolvia; a dedicação da Prof. Rose aliada à vigilância da Pedagoga Carmen, ao lado dos temas abordados com originalidade, conduziram o conjunto dos conflitos pessoais e coletivos pelos caminhos da restauração da harmonia nas relações interpessoais.
Ficou evidente que a crise de identidade é a causa básica dos distúrbios de caráter e de comportamento e que objetivamente sustenta as contradições e os conflitos humanos.
A característica inovadora e reveladora da programação inclui uma revisão e redefinição do conceito de homem que fez com que todos, sem exceção, resgatassem um novo conceito, que muitos acolheram.
Muitos foram lançados para fora do estado hipnótico a que foram subjugados por imposição do sistema político-pedagógico vigente.
O sucesso desse projeto refletiu-se nas transformações que ocorreram e ainda estão ocorrendo com os alunos e suas famílias. Assinalamos como evidência de sucesso, o número recorde de alunos matriculados para o próximo período, sendo que a maioria dos novos alunos foram induzidos a matricularem-se pelos alunos da turma do 2º. período de 2002.
Está previsto para o próximo período a reedição dos fragmentos do Projeto Onto-Teo-Científico-Político-Pedagógico, sob a égide da Ciência do Ser ou Ontologia.
Ao término do curso os alunos anteriormente identificados como membros das facções inimigas e criminosas tornaram-se amigos, sendo resgatada a harmonia nas relações humanas. Como uma grande família formada por pessoas realizadas e felizes, assim se encontravam na festa de formatura para a qual fui honrado com o convite para paraninfar, por unanimidade.
O Sr. Presidente da CMT, Ricardo Mezavila, assim definiu a festa de formatura: "Nunca houve uma formatura tão brilhante e tão emocionante quanto esta."

Segue-se depoimentos de um grupo de alunos escolhidos por sorteio para expressarem suas impressões sobre as atividades coordenadas pelo médico Paulo Araujo.

As perguntas que se seguem foram sugeridas pelo médico Paulo Araujo, e, feitas sem ordem previamente estabelecida. Outras perguntas foram feitas a critério do Departamento de Pedagogia.
1) O que você achou sobre a participação do Dr. Paulo?
2) O que mais impressionou você?
a) Foi a Fita de Vídeo?
b) Foi a palestra sobre o Poder da Palavra? Ou o Colóquio sobre a raiz da violência?
3) As informações que você recebeu tem ajudado você? Como?
4) Você tem observado e usado os ensinamentos sobre o poder da palavra?
A. B. 16 anos. "Passei a usar o poder da palavra a meu favor e a favor de minha família. Pude relacionar vários fatos que ocorreram em minha família e com amigos que, sem que soubessem do poder da palavra, o usaram inconscientemente. Com isso aprendi que o conhecimento é o melhor que podemos adquirir".
J. P. R. 16 anos. "Para mim é um assunto que requer reflexão. Fiquei impressionado com tudo que ouvi. Mas, creio que a força do pensamento é bem maior do que podemos imaginar".
A. S. F. 16 anos. "Achei 'legal' a participação do Dr. Paulo. A palavra realmente tem poder e tem ajudado muito a gente. O saldo foi positivo. Passei muito para os meus familiares e gostei, também, do livro, CEM PENSAMENTOS PARA REPENSAR, do Dr. Paulo Araujo. A minha mãe leu e gostou. Conversamos bastante sobre o assunto. Eu ia sair e minha mãe falou para eu não sair, eu não "liguei", logo começou um tiroteio bem perto de minha casa, tive que voltar correndo. Aí eu lembrei do poder da palavra e passei a ouvir mais a minha mãe e meus familiares".
W. A. P. 16 anos. "Gostei, foi muito interessante. Aprendi muito sobre o poder da palavra mas discordei de algumas coisas em relação a Bíblia; mas, reconheço que realmente o poder da palavra existe".
P. S. A. 16 anos. "Aprendi que devemos escolher as palavras que usamos em nossas conversas do dia-a-dia".
J. A. N. 16 anos. "Tive a oportunidade de experimentar e sentir o poder da palavra e constatei que o poder é real. Essa experiência me tornou uma pessoa mais segura. Sinto-me mais protegido por esse conhecimento que jamais pensei que existisse. Com esse conhecimento, entendi que não devia responder às provocações do meu padrasto e assim procedendo, as discussões terminaram. Estou satisfeito com o resultado".
A.M. S. 15 anos. "As coisas que falava da boca pra fora não falo mais; agora só falo o que é necessário para poder me ajudar de forma positiva. Percebi que as amizades que pensava serem verdadeiras, não era nada daquilo".
F. M. S. 16 anos. "Tudo o que vi o que mais me impressionou foi o poder da palavra. O caso da Geíza, do ônibus 174, foi incrível. Entendi que não devo falar coisas ruins porque elas se voltam contra mim".
F. G. O. 15 anos. "A participação do Dr. Paulo Araujo foi boa. O colóquio sobre a raiz da violência me ensinou muito. Mas, o poder da palavra me fez tomar cuidado com as coisas que desejo e falo".
G. B. S. 15 anos. "Achei que a influência dele foi boa. Fiquei impressionado com a raiz da violência. As crianças da favela seguem os exemplos dos bandidos. Me afastei dos bailes. Prefiro ficar em casa vendo televisão ou vou para a praia. Mudei de endereço. Agora, estou morando com a minha tia para sair daquela situação de risco".
D. N. A. 15 anos. O colóquio foi uma experiência muito agradável para termos certeza que a palavra tem poder. Com os inúmeros exemplos citados pelo Paulo e mais as experiências vividas depois das palestras podemos ter certeza que tudo o que queremos nossa palavra tem poder para conseguir".

Reeducando o Cidadão Hoje (Comentário de Paulo Araujo)

Foi com perplexidade que fiquei sabendo acerca dos resultados após longos meses de debates e intenso palavrório em pedagogês, em meio a uma repetição sucessiva de frases ensaiadas e lugares comuns, que, podemos denominar: bloqueios gerados pela Doutrina da Escola Sacerdotal, que a Educação está falida.
Em sendo uma realização dos Jornais Extra, O Globo e Telemar que patrocinaram o FÓRUM, intitulado, "Educando o Cidadão do Futuro", temos o básico, uma rede de informação de alcance suficiente para que, através de seus sistemas, fosse produzido um resultado infinitamente melhor e num intervalo de tempo infinitamente menor, se neste Fórum os participantes debatessem sobre os desafios e os esforços para ajudar crianças e jovens a trilharem o caminho da cidadania, a partir do ponto de vista da causalidade dos distúrbios de caráter e de comportamento, que as gerações têm, há milênios, apresentado.
Em sendo, os convidados do Fórum possuidores de uma extensa lista de títulos conquistados ao longo de muitos anos de estudos e dedicação ao ensino e a educação, deveriam, em vista disso, serem dotados de conhecimento suficiente para, mais do que debaterem, apresentarem propostas concretas de reforma de base da educação, hoje, mundialmente, reconhecida como incompetente para formar um cidadão consciente.
O conjunto dos desafios citados, entre eles, a violência, as drogas e a miséria moral, espiritual e econômica são problemas que necessitam de ações urgentes. Concordo.
O que deveríamos saber e, não temos acesso é ao equívoco cometido pelo sistema Teo-científico-politico-pedagógico, que ainda persiste e é mantido por imposição da tradição dos sacerdotes e sua doutrina adâmica, e, assim, alimentam com leite podre aqueles que deveriam receber o maná que desce do céu, o alimento do conhecimento sólido que nos conduzirá ao status de filho perfeito de Deus, em acordo com o que anunciou o nosso Grande Mestre Jesus, ao dizer: "Aquele que for firme naquilo que eu digo, fará as mesmas obras que eu faço..."
O Fórum teve como moderador Hugo Barreto e entre os convidados estava o Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Sr. Carlos Lessa. Em sua participação, podemos assegurar-nos de que ela se resumiu em uma de suas frases: "–O ensino está submisso às regras do mercado". Neste exato momento, o Sr. Carlos Lessa revelou um fragmento do que constitui uma bem montada estratégia teo-científica-político-pedagógica para gerar cidadãos dotados de mentalidade adâmica, cuja característica básica é a idolatria. Segue-se a inveja, a revolta, a violência e a morte física e/ou moral, que por sua vez, acontece como conseqüência inevitável.
As regras do mercado são ditadas pelo Poder Econômico que recompensa generosamente as castas conluiadas, a saber, a Casta Clerical que impõe a Doutrina Sacerdotal adâmica, a Casta científica que impõe a crença em uma suposta inteligência material e, através dela, locupletam-se de fartos numerários que diariamente entram em suas contas bancárias.
Ao lado destes algozes da humanidade está a proteção segura da Casta dos Políticos, que ardilosamente legisla em causa própria e em defesa dos interesses das Castas Clerical, Científica e Pedagógica. Todas muito bem recompensadas pelo poder econômico que os seduz com o dinheiro amealhado às custas da ignorância a que o povo foi atirado.
Num plano inferior, nessa Pirâmide da Vergonha, encontramos a Casta dos Professores, sempre subservientes, que apenas repassam para a geração seguinte, o leite podre imposto pelo sistema político-pedagógico, que os avilta com salários de fome.
Na base da Pirâmide da Vergonha estão os incautos meninos e meninas que pertencem a geração emergente e que, uma vez violentados pela iniqüidade do sistema, tornam-se corruptores e corruptíveis, e, repetem no devido tempo, a história dos erros já cometidos, conhecidos e presentes em todas as camadas da sociedade e, se nada for feito, também a veremos repetir-se nas futuras gerações.
Toda essa estrutura é a única responsável pela manutenção deste estado estável e lamentável de deterioração do caráter dos seres humanos, em detrimento do conhecimento do real, do conhecimento que permite a cada um dos educandos a prerrogativa do autoconhecimento; do autogoverno; do gerenciamento de seu próprio corpo e de sua saúde; de sua espiritualidade, enfim do seu caráter de cidadão total, que tem como ponto de apoio o verdadeiro conceito de Homem. Este conceito espiritual emitido e sustentado pela Doutrina da Escola Profética é, por sua vez, a única que pode efetivamente trazer à luz o nosso sonho de uma cidadania exercida com plenitude, incluindo o nosso direito ao uso da razão e da consciência que subjuga com poder as emoções.
Estou convicto de que um dia no futuro prevalecerá a Doutrina da Escola Profética, cuja essência é a Ciência do ser ou Ontologia em sua derivação metafísica, então, e, somente então, a geração renascida do sepulcro formado pelas crenças mortais e materiais, prosperará rumo à demonstração da perfeição do ser e trará à luz outro grande sonho, a sociedade pela qual Jesus lutou e deu a sua vida.
A sociedade é constituída de cidadãos, portanto, o ser humano, o cidadão, dotado do conhecimento do real e livre dos grilhões das castas que, há séculos, escravizam mentalmente povos e nações, demostrará que o inspirativo e não o escolástico deve ser a base de sustentação do conhecimento que promoverá, estabilizará e eternizará a Verdade científica, a Justiça social e a Paz espiritual, tão desejadas. Então, o que estamos esperando?

Comentário Final

A atual direção da Casa do Menor Trabalhador tem como meta enriquecer e elevar o nível de conhecimento cultural e educacional dos adolescentes matriculados na instituição. Além das propostas pertinentes ao objetivo descrito no estatuto, também estamos abertos para o desenvolvimento de temas mais profundos para que se abram novas portas por onde possamos entrar e discutir nosso contexto, compreendendo os fatos e as causas.
Dentro dessa linha de atuação, conseguimos abordar questões de todas as ordens que nos auxiliam na compreensão do que buscamos e entendemos como de fundamental importância na formação do jovem.
No ano de 2002, vivemos a experiência através de palestras do médico Paulo Araújo, de ter contato com a Ciência do Ser. O trabalho desenvolvido naquele ano não foi inédito, já tínhamos tido oportunidade anteriormente, mas esse foi mais abrangente e bastante significativo.
Com a seqüência de palestras sobre o Poder da Palavra os alunos receberam informações que os fizeram refletir e questionar. O comportamento da turma no decorrer do curso foi positivamente afetado por isso.
O 1º. Colóquio Sobre a Raiz da Violência foi uma experiência única na Casa do Menor Trabalhador e vamos no ano de 2003 realizar o 2º. Colóquio.
A formatura da 20ª turma foi a consolidação e a certeza de que o trabalho do Dr. Paulo Araújo foi fértil.
Ricardo Mezavila
Presidente da CMT

Para sua Reflexão

Conta uma popular lenda do Oriente, que um jovem chegou à beira de um oásis, junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:
"Que tipo de pessoas vive neste lugar?"
Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem? - Perguntou por sua vez o ancião.
Oh! Um grupo de egoístas e malvados - replicou-lhe o rapaz - estou satisfeito de haver saído de lá.
A isso o velho replicou: a mesma coisa você haverá de encontrar por aqui.
No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:
"Que tipo de pessoas vive por aqui?"
O velho respondeu com a mesma pergunta: "Que tipo de pessoas vive no lugar de onde você vem?"
O rapaz respondeu: "Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de deixá-las".
"O mesmo encontrará por aqui", respondeu o ancião.
Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:
"Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?"
Ao que o velho respondeu: "Cada um carrega no seu coração o meio ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui. Somos todos viajantes no tempo e o futuro de cada um de nós está escrito no passado. Ou seja, cada um encontra na vida exatamente aquilo que traz dentro de si mesmo. O ambiente, o presente e o futuro somos nós que criamos e isso só depende de nós mesmos".


1º. Colóquio Juvenil Sobre a Raiz da Violência


Patrocínio: Casa do Menor Trabalhador

Presidente: Ricardo Mezavila


Moderador:

Paulo Araujo

Médico Pesquisador em Medicina Mental.



Coordenação Geral: Departamento de Pedagogia da CMT.
Período: 29, 30 e 31 de Outubro e 4, 5 e 6 de Novembro de 2002

Informações: 2253-3499 / 2233-2181


Objetivo

Criar uma consciência através da conversação e do debate entre os jovens alunos e proporcionar-lhes a oportunidade de abordarem a questão da violência, buscando desde sua raiz até os procedimentos recomendáveis e conseqüentes, a fim de anular toda causa identificada em suas variadas formas e seus efeitos perniciosos sobre os seres humanos e o meio-ambiente. O norteamento das participações pelo moderador é tendente a lançar luz sobre uma dúvida e conciliar seguidores de opiniões diversas visando a coesão harmoniosa acerca das medidas a serem preconizadas, e que, efetivamente, ponham um fim as manifestações de violência por membros da sociedade em todos os seus escalões.

Programa

  • Aspectos Antropológicos, culturais e religiosos da Violência;
  • A violência e suas variegadas formas de manifestações;
  • O ato de violência mais antigo, registrado e conhecido;
  • A causa predisponente e a causa desencadeante;
  • A violência no âmbito familiar;
  • A educação formal e informal como multiplicadores dos atos de violência;
  • A contribuição religiosa; científica e político-pedagógico com elementos condicionantes de uma base mental com predisposição à prática da violência;
  • Discussão, Exemplificação e Compreensão da anatomia de uma crença;
  • A influência do Conceito na modelagem do pensamento e da ação violenta;
  • Mesas Clínicas;
  • Encerramento.

Contato: pauloaraujo1945@yahoo.com.br

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