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A Formação das Ciências
Autor: Antônio Rogério da Silva
Os critérios para constituição de uma ciência nem sempre são os mesmos ao longo do tempo. Thomas S. Kuhn (1922-1996) nos ensinou que as ciências mudam segundo os interesses dos grupos de pesquisadores e que esses interesses têm suas raízes na sociedade em que eles vivem. Assim, o desenvolvimento da tecnologia, característico das ciências modernas pode ser explicado pela valorização do trabalho produtivo e pelo interesse utilitário nos produtos resultantes das descobertas científicas. Em todo caso, a presença ou ausência de alguns elementos básicos permitem caracterizar as ciências de uma época.
Tais aspectos fundamentais são o método empregado, os critérios de identificação científica e o objeto de estudo. Entre os helenos, a observação era o método, que tinha por objeto a investigação das causas naturais segundo critérios meramente especulativos. A manipulação dos elementos, os princípios herméticos e a preocupação pelo controle das forças vitais marcaram a ciência medieval e as corporações que investigavam a relação humana com o mundo. Na ciência moderna, o método empírico passou a ser dominante, enquanto os princípios científicos transformavam-se em leis imutáveis da natureza e a invenção de instrumentos precisos e a produção de máquinas passou a ser alvo do interesse científico. Atualmente, a ciência contemporânea, muito influenciada por filósofos e historiadores como Karl Popper (1902-1994), Paul K. Feyerabend (1924-1994) e Kuhn, admite como hipóteses científicas apenas aquelas que puderem ser falsificadas pela observação empírica, e seus princípios seguem as restrições de um paradigma imposto pelos interesses específicos de um grupo de pesquisadores, voltados para o estudo de uma determinada área do conhecimento. Os objetos de investigação são variados e envolvem um grau cada vez maior de especialização com o uso crescente de tecnologia de ponta.
Nesse contexto, a ciência cognitiva surge como um campo de pesquisa atípico, pois envolve disciplinas diversas e áreas aparentemente conflitantes das chamadas ciências humanas e naturais. Falta ainda um objeto de estudo específico que possa abarcar sem contradições todas as matérias envolvidas. Por fim, falta também um paradigma e um consenso científico em torno dos métodos, princípios e objeto que delimitem claramente esse tipo de investigação. Por um lado, quer-se explicar as atividades cognitivas do ponto de vista externo observando-se o comportamento dos seres considerados inteligentes. Por outro, pretende-se estudar essas reações com o incremento de experiências psíquicas que revelem o processo mental interno a cada um dos agentes racionais. E há ainda quem queira descobrir as causas do funcionamento mental, testando o aparato físico que serve de suporte ao raciocínio: o neurônio, os neurotransmissores e os estímulos elétricos.
Talvez a ciência cognitiva venha marcar uma nova transformação da história científica, junto com o advento de um novo cenário da história, onde o conhecimento só possa ser proporcionado pelo conjunto das diversas disciplinas concernidas. De tal sorte que a validade de uma lei ou norma científica só possa ser aceita pelo consenso de todos interessados e envolvidos no assunto. Mas isso é algo que somente a posteridade poderá contemplar com maior nitidez, a partir de um retrospecto histórico.
Referências Bibliográficas
FEYERABEND, P. K. Contra o Método; trad. Octanny S. da Mota e Leonidas Hegenberg. - Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977.
GARDNER, H. A Nova Ciência da Mente; trad. Cláudia M. Caon. - São Paulo: EDUSP, 1995.
KUHN, T. S. La Tension Esencial; trad. Roberto Helier. - México D. F. : Fondo de Cultura Económica, 1996.
POPPER, K. A Lógica da Pesquisa Científica; trad. Leonidas Hegenberg e Octanny S. da Mota. - São Paulo: Cultrix, 1975.
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